terça-feira, 28 de junho de 2011

A depressão popular, o trabalhador, a busca singular...

Oregon, Estados Unidos, 14 de novembro de 1929.

A situação é gravíssima, para não dizer assustadora. Gastar com papel e tinta para escrita já seria considerado por muitos em nossa cidade um crime, porém a necessidade de registrar essa dor é maior que a força remanescente para buscar alguma renda...
Imagine-se miseravelmente poupado de gêneros primários, como alimentos, roupas e abrigo. Imagine-se em busca desesperada por emprego. Agora tente enxergar a solução dos problemas, uma fábrica de tecidos com vagas para trabalhadores por exemplo, completamente parada devido a total falta de recursos.

Esta tem sido a realidade de milhares de pessoas em todo o país. Enquanto o governo decreta corte em qualquer tipo de gasto supérfluo - como se houvessem recursos para serem gastos - a população migra de cidade em cidade pedindo carona em trens de carga, aceitando qualquer oferta de emprego possível. Trabalhadores rurais, principalmente jovens, saem do campo e deixam suas individadas famílias para tentar a sorte nas cidades, onde cada vez mais empresas declaram falência por falta de mercado. Um paradóxo sobre o qual a grande massa não consegue mais refletir, começando a culpar os chefes de estado por tamanho desnorteamento econômico. Inclusive agora os automóveis, puxados por animais devido a falta de combustível, são chamados de Bennett Buggies em homenagem ao excelentíssimo Primeiro-Ministro Richard Bennett.

Por fim, subnutridos lotam aglomerações sem higiene esperando alguma ajuda advinda dos céus. Porém os céus americanos se esqueceram do seu povo. Não há mais trabalho, não há mais fuga, não há mais luz. E cada vez mais racionado, até o céu parece apagar-se diante da grande depressão...

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